quero escrever e ja estou escrevendo com meu meu terceiro peito ardendo. vou chamar essa area de terceiro peito, mesmo que também seja uma ferida que fica em carne viva quando ficou estressada e guardando stress. minha vó julite sempre fala isso mesmo, de guardar stresse. sei la...
por falar em minha avó, parei pra pensar sobre mim e meu amigos artistas que tanto valorizam nossos avós. passamos os ultimos anos afirmando a importancia de suas velhas palavras para consegui construir novos tempos. o novo tempo agora chegou. se anuncia. e se sinceramente se eu fosse avó eu estaria cansada de ajudar minhas netas. hahha
neste sentido, a dor do meu peito é de um corpo que esta em transmutação. estou transmutando e aprendendo a lidar com o sentimento de raiva, nao querendo transformar raiva em rancor... mas preciso acessar a raiva! mas é tao dificil acessar a raiva aqui em sao paulo, porque tenho medo de expludi e nao ter como catar meus cacos de vidro. e também ja nem sou um vidro transparente... ja quis ser ou ja me fizeram querer ter essa transparencia de ser visivel por todas. mas agora nao quero mais.
entendi que sou escura e contraditória. sou esse vidro que quando poca, deseja que... nao sei...
o que desejo com a raiva? esses dias sonhei que eu era um vulcão e que eu era harrt poter dentro de vulcão. e eu não estava com medo da raiva no sonho... conseguia controlar. o que fazia era deixar ela acontecer! mas como deixar? na vdd ela ja esta acontecendo... mas como lidar com a larva do vulcao que sou eu? tipo, se sou o vulcao eu mesma crio a lava e e a lava cria seu proprio caminho! é isso.... deixar a lava criar seu proprio caminho. mas como assim?
como seria isso?
amanha tenho psicologa e vou falar com ela sobre isso!
Lembrar daquilo que esqueci, enquanto subo e desço a Fonte Grande (Vitória/ES, BR). Criar um mapa das fontes da Fonte Grande. É uma experiência estética de imersão que inicia-se em julho de 2018. É uma promessa que fiz pro meu avô, que descobri ser uma aposta que ele fez em mim. Subir e descer semanalmente a Fonte Grande durante o tempo que me for necessário viver.
segunda-feira, 20 de abril de 2020
sexta-feira, 17 de abril de 2020
[22:58, 17/04/2020] roger gill: A vermelhidão da tua carne é para mim como o roxo do espírito. Bruta é a água que jorra da tua fronte. Brando é o caos que sai da tua boca. Canta teu ponto e sobe dessa terra. Não. Fica. Eterniza teu corpo na carne da terra. Teu corpo é teu nome. Teu nome é a tua vida.
acabei de ver um video de uma amiga retinta que não encontro faz um tempo. hoje sou travesti, mas na época que eu a encontrei eu era outra coisa. nos encontramos pela cor, hoje travesti eu me sinto insegura em encontra-la.... talvez não de encontra-la mas de como sustentar o encontro. tenho tido isso com pessoas negras, percebido que minha travestilidade é um problema ou eu faço dela um problema. não sei até onde é minha insegurança e onde começa a travestifobia de minha negritude travesti. as vezes sei, mas agora não sei. agora e em outros momentos também. ai eu fico pensando em encontrar mais travestis pretas, mas encontra-las por ser travestis e negras não basta. enfim, me da vontade de acampar la na Torre da Fonte Grande e ficar la, vivendo o escuro e o silêncio da mata que nunca se cala. tenho vontade de levantar uma barraca, levar comida e agua, e passar a noite la. tenho vontade de ser 00:00 e eu estar acordada na escuridão, olhando para o céu e para os lados, sentindo medo e tesão. tenho essas vontades, de enfrentar meu medo do invisivel... da escuridão. tenho essa vontade de viver o medo e deixar ser tomada por ele até o medo ser incompativel com meu corpo.é essa minha vontade...
Local: Fonte Grande. Vitória, BR
São Paulo, SP, Brasil
quarta-feira, 15 de abril de 2020
sábado, 11 de abril de 2020
Enfiei um cristal Quartzo Rosa no cu e na piroca., porque agora sei como é possível redirecionar minha energia sexual para a Cura Travesti: é através do amor pela verdade, e é pela coragem que acessamos a ventania que mora em Anahatta; aquela que espanta o medo de mim quando percebo que já não sou mais a mesma.
...durante a 4º semana de quarentena no Brasil.
...durante a 4º semana de quarentena no Brasil.
se é tempo de minguá, por favor, tranforme meus pulmões de homo sapiens sapeiens em branqueas e guelras. quero ser peixe nesse momento, porque sei que agora o tempo se faz no fundo do mar. eu não sei nada como antes, e antes eu nadava com o medo e fome. hoje vocês me deram um banquete, e me fizeram gorda como a lua cheia. na lua cheia eu gozei um gozo que nunca tinha vivido antes, foi um gozo fruto de verdade. ou, a verdade fez de mim um fruto suculento como uma ameixa. Meu cu tem a cor da ameixas que namoro sempre que foi ao supermercado durante essa Quarentena. O virus Corona-19 é o menor dos meus problemas, não quero falar sobre ele porque se escrevo ja estou falando com ele. Esse virus ja esta organizando minha outra maneira de ver a vida. Então, volto e a dizer sobre o preenchimento que a coragem fez em meu corpo. enquanto o Mundo se acaba eu só penso em colocar peito. E a lua colocou em meu peito coragem. Preencheu-me de coragem, transformou meu corpo. Eu virei travesti quando entrei pra macumba. Não nasci travesti, mas a travestilidade pra mim é um modo de ser novamente um corpo que não tem medo de se transmutar... um corpo curioso. E a lua me deu coragem para continuar. Eu quero continuar, por isso ela me deu coragem, E eu tive essa coragem e fiz de mim uma matéria imunda e jamais limpida de prazer. meu prazer me imundou e inundou-me nesse mar. de repente eu me via ja em baixo da agua, e olhava pra cima sem medo ou ansiedade. eu olhava pra cima, via o sol descer e virar lua la em baixo. e continuava olhando para cima, adimiando a supercifie e me despedindo dela sem medo ou choro. porque eu quis descer até morrer. eu desejei morrer, para de respirar e renascer. quis virar peixe. agora sou uma seria dormindo em baixo do mar. nao sei qual lugar é esse... se estou na lua ou no mar. não sei mesmo. não sei. e será que me falta coragem para perguntar se nome? acho que não, o que percebo mesmo é uma preguiça de voltar para a superficie, por mim eu ficaria aqui pra sempre. mas sei que esse desejo também é uma projeção que obdece ao delirio da impermeabilidade da matéria. nao há essa posisbilidade, preciso continuar a transmutação. e é com o amor e a coragem. Acho que o amor é a coragem de ser contraditoria. Penso no amor como um vento. Sinto o amor como uma ventania que me toca me faz ter arrepios. Acredito no amor como um ventania que espanta o medo.
sábado, 4 de abril de 2020
demorei três dias para digerir essa informação que a mulher da mata me disse, e aqui estou tentando dizer sobre aquilo que meu corpo precisa de uma vida inteira para digerir e transformar. Ela me disse da onde eu sou pra pra onde devo ir. Me avisou que naquela noite eu dormiria feito lua e acordaria como o sol. Era 6h da manhã e eu já estava de pé, deita em cima da cama ta tentando digerir a verdade que me foi relevada e profetizada. Já não sou humana, já não sei como sentir prazer da carne numa separação entre corpo físico e espiritual. Meu prazer sexual transformou-se em conteúdo para meus rituais, aprendi que minha masturbação é um culto à morte e à lembrança. Eu pedi por isso, e a verdade chegou: sou macumbeira, virei mãe de santos e santas. Ser mãe de mim é viver com a condição de responsabilidade por saber da verdade que me possibilita continuar viva. Essa semana eu descobri a verdade: não sou humana, já não sinto como gabriel era. Virei uma travesti mandingueira. Sim, eu morri. Morri a morte bantu, e quando encontrei essa Ninã Blanca, dançamos aguarradinha, gritamos uma com a outra, choramos juntas, ela me acolheu e eu neguei, ela insistiu e eu insistir junto. Justas entendemos que o beijo ali seria outra coisa. Meu corpo se transformou, meu beijo faz feitiço, e o que devo fazer aqui agora que ja não sou mais a mesma? O que desejo aqui?
Sinto que preciso continuar alimentando o conteúdo que não há forma: os chakras superiores. Preciso alimentar esses mistérios que agora vejo com olhos abertos.
Foi dificio digerir as inormações que meus mentores espirituais me passaram, porque esses guias me apresentaram a verdade. Foi dificil porque não pude ir pra mata, não pude ir na praia, não pude ir na cachoeira. Aqui onde moro em São Paulo, não há nada disso por perto. A dificuldade está em perceber essa distancia, e criar uma proximidade... que tem sido feita no plano astral. Mas preciso das plantas, preciso do toque e do cheiro. Agora sinto o peso da distancia.. minha tia tati sempre dizia: só damos valor quando perdemos. Eu perdir a vergonha e o medo, por isso estou dando um valor imensurável à essas vidas vegetais e minerais que agora estão longe de mim. É dificil, ta sendo dificil. Sei em meu corpo há terra, fogo, ar e agua, mas quero senti-los como se apresentam fora de mim na mata e no mar.
Enfim, a yoga vai me ajudar a fazer morrer a saudades e entender que saudades não existe porque não há separação. Te amo.
terça-feira, 17 de março de 2020
ano passado eu desejei encontrar vocês e aprendi que o que há são modos e fomas de me preparar para esse encontro com o inexistente e inesperado. E também: como sustentar esse encontro?
Quando pela primeira vez encontrei uma travesti mãe de santo, a abracei sabendo da infecção... de nosso mutualismo sem interdependência ...
Se tudo está em tudo é porque não existe separação na distancia, então o que tenho escolhido é a intensidades de nossos encontros.
A ansiedade que surge do medo de ser infectada por algumas vidas ( de todos os reinos ) é uma experiência de Tempo Cronológico e não é sempre que consigo assumir outra direção ou movimento que não seja esse: o pânico. Então tento não esquecer de como criar outra situação temporal enquanto estou em pânico.
Quando saio nas ruas de São Paulo minha garganta as vezes fecha porque meu corpo físico fica com medo de respirar e ser infectada; mas já estou sendo, por isso continuo viva.
Acredito que essa contração muscular é aglutinação de energia... então uso essa concentração vital laríngea para entrar no Tempo Espiralado de Exú e Exua que me ensinam: a vida é cíclica, aceite, escolha, transforme, descanse...
a interdependência prevê uma separação e eu não acredito na separação.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020
Exú não é diabo e se tiver que ser, será. Por isso digo: Eu não sou mulher, mas se tiver que fingir, farei.
Eu decidi lançar esse ponto na quarta feira de cinzas, porque aprendi como é gostoso morrer e agora ta dificil sim assumir essa nova vida.
Aprendo muito com minha PombaGira sobre desejo, olhares, amores e giros...
Aprendo com exuas e com minhas travestis sobre minha boca e nossos olhos. Como olhar... quando sorrir...
Eu sempre ouvi pontos imaginando encontrar uma PombaGira travesti: um desejo que me move e me assusta. Então percebi que estava virando esse desejo: uma travesti que sabe amar PombaGiras sem cristaliza-las na imagem do corpo que só dança, bebe, fuma e gargalha. Porque tudo isso acontece na incorporação, é o que nossos olhos geralmente podem ver. Mas vejo outras coisas, outros movimentos de PombaGiras...
Assim como vejo outro movimentos de trava... outros além daqueles que seus olhos conseguem ver e desejar e capturar <3 <3 <3
Tenho conseguido, com muitos esforços, construir nossa ancestralidade sodomita. Pra quem não sabe, "sodomita" era o nome que os colonizadores nos davam. Xica Manicongo foi chamada assim, hoje em dia ela seria chamada de travesti. Não ousem chama-la de não binaria ou de mulher-trans! É pouco, e por enquanto é TRAVESTI ou QUIMBANDA o melhor caminho a ser tomado!
Ponto de travesti
Arreda Homem
Arreda homem que ai vem mulher
Arreda homem que ai vem mulher
Ela é a trava preta, rainha do cabaré
Saravá às suas tetas
que nasceram quando nós decidimos transmutar a carne e incorporar as almas das travestis que nos querem lembrando da vida, da malandragem, da fé e da coragem.
Sete homens vem na frente, pra dizer quem ela é
São apenas gays medíocres e medrosos
que não sabem e nem devem entender como fazemos para respirar abaixo do fogo de nosso cu. Aqui embaixo já é água, mar. kalunga. Musoni.
Por isso somos as gatas que sobrevivem às marés.
Eu caminhava, pela alta madrugada
quando no clarão da lua eu vi uma gargalhada
Eu caminhava, junto com as negras travas
durante o clarão da lua demos varias gargalhadas
e com a boca cheia de tesão, prometemos ao silêncio:
saberemos nos cuidar enquanto sabemos te espancar
te matar
Linda negrona formosa, me diga quem você é
ela é dona no style, é a Rainha de fé
O mona diga seu nome, vamos juntar nosso axé
Somos as travas encantadas, que ele chama de mulher
O Maria Lacraia, se tu és uma rosa
que floresceu, sob um monte de espinhos
O Dirceu bixa, se tu é uma rosa, uma rosa formosa
Bia Kalutor, abra meus caminhos
Bia Kalutor, abra nossos caminhos
LAROYÊ
Abra nossos caminhos e nos proteja
amigas, que Exú e suas Meninas nos guie e nos salve.
obrigada até aqui
e pelo o que já foi
e por o que ainda estar por vim
<3 <3 <3
Arreda Homem
Arreda homem que ai vem mulher
Arreda homem que ai vem mulher
Ela é a trava preta, rainha do cabaré
Saravá às suas tetas
que nasceram quando nós decidimos transmutar a carne e incorporar as almas das travestis que nos querem lembrando da vida, da malandragem, da fé e da coragem.
Sete homens vem na frente, pra dizer quem ela é
São apenas gays medíocres e medrosos
que não sabem e nem devem entender como fazemos para respirar abaixo do fogo de nosso cu. Aqui embaixo já é água, mar. kalunga. Musoni.
Por isso somos as gatas que sobrevivem às marés.
Eu caminhava, pela alta madrugada
quando no clarão da lua eu vi uma gargalhada
Eu caminhava, junto com as negras travas
durante o clarão da lua demos varias gargalhadas
e com a boca cheia de tesão, prometemos ao silêncio:
saberemos nos cuidar enquanto sabemos te espancar
te matar
Linda negrona formosa, me diga quem você é
ela é dona no style, é a Rainha de fé
O mona diga seu nome, vamos juntar nosso axé
Somos as travas encantadas, que ele chama de mulher
O Maria Lacraia, se tu és uma rosa
que floresceu, sob um monte de espinhos
O Dirceu bixa, se tu é uma rosa, uma rosa formosa
Bia Kalutor, abra meus caminhos
Bia Kalutor, abra nossos caminhos
LAROYÊ
Abra nossos caminhos e nos proteja
amigas, que Exú e suas Meninas nos guie e nos salve.
obrigada até aqui
e pelo o que já foi
e por o que ainda estar por vim
<3 <3 <3
sábado, 15 de fevereiro de 2020
[00:01, 14/02/2020] roger gill: EU não sei dimensionar a sua existência. Eu não posso e não consigo. Percebi que não preciso porque me atravessa. Me atravessa porque sou o vento, sou a água… mas hoje fui sombra. Me atrevessa porque você foi, é e sempre será o que a luz do sol é para as plantas. A fotossíntese é o símbolo máximo do amor. Porque você me escolheu? Como Cristo por mim, deu-me uma prova de amor. Mas um amor puro, tão profano que só poderia estar dentro de uma capela. Uma capela não, um terreiro. Um terreiro pra eu ficar as minhas raízes e te retribuir algum dia o tamanho da sua luz. É muito louco isso de vidas passadas. Ano passado já faz anos luz… talvez seja esse o meu deslocamento… sentir que o sol sempre nasce e se poe. Mas ele não morre nunca. Você nunca morre cast. Mas eu sei que eu morro sempre que eu lembro que eu posso morrer. Mas eu morro só pra ressuscitar, e olhar pra essa sua cara de pombo gira rindo pra mim. Pra gargalhar o deboche de poder ressuscitar sem morrer. Mas tendo morrido umas mil vidas. Isso de morrer é coisa de caveira. E que o pó de minha ossada te encontre em são Paulo. Se você ouvir uma gargalhada quando chegar lá é uma lembrança minha. Mas tem que ser no por ou no nascer do sol, não gosto de ficar na rua de noite. Mas eu aprendi agora que você me tirou da cova.
[00:08, 14/02/2020] roger gill: Eu amo vocês nessa, nas passadas e nas futuras.
[00:08, 14/02/2020] roger gill: Eu amo vocês nessa, nas passadas e nas futuras.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
minha cabocla tem me ensinado sobre fitoenergetica, e quando tento enxergar-la ( a energia das plantas ) lembro que meu corpo carnal precisa está um pouco mais sincronizado com meu corpo sutil. lembro disso enquanto escrevo e percebo que enquanto tento lembrar de como fazer meus dois corpos dançarem experiêncio uma frequência dessa sincronia que acontece sempre que penso sobre ela.
é complicado dizer, então escreverei de olhos fechados. pronto tentarei escrever com meus olhos sutis. é falar sobre o amor, um amor que aprendi lendo as mãos de Roger. lendo sua mão e ouvindo sua voz de locutor. Acredito que nossa amizade me ensina sobre incorporação, porque a fitoenergética é isso: um encontro e a sustentação desse Tempo de Cura que se inaugura quando essas vidas sincronizam, de modo efêmero, suas existências. Quando abraço Roger, sinto um calor que me lembra a aroeira, mas nosso corpos animais também podem juntos produzir uma temperatura de acalento que me faz lembrar de quando minha cabeça é tomada pelas Rosas Brancas e Manjericões.
Comecei esse texto com essa vontade de dizer sobre plantas e Roger. Uma vez eu olhei pra Roger e vi a beleza de seu corpo sutil. Me assustei, era muito bonito. Aquele dia ele estava muito bonito, e durante aquele momento eu não consegui parar de olhar. Estava sem camisa, mas eu não senti desejo sexual, e novamente me assustei; dessa vez, comigo mesma. Ja me assustei com as plantas, geralmente suas raízes me deixam avoada.
É isso, enxergar Roger com meus olhos de vento foi assustador e delicioso porque lembrei que consigo voar sempre que me permito ser conduzida por raizes ou folhas das plantas que minha avó Julite cria. Quero acabar por aqui, dizendo que amo meu terceiro olho, sou grata pela amizade e reencontro com Roger e amo as plantas que vovó cria desde sempre.
isso é uma arvora mas poderia ser você, amiga <3
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
mergulhar na profundidade no oceano nunca me foi tão dificil. Enquanto eu vivia na Ilha de Vitória, adorava mergulhar. se possivel ia na praia toda semana... teve tempos que eu passei horas na Beira Mar desejando esses mergulhos que hoje tenho feito. ai agora sai da ilha e tenho construido minha diaspora. como Renato Santos me disse uma vez: agora você esta fazendo a boa diáspora. Sim, estou tendo a oportuinidade da escolha.ou de fazer outras escolhas. e as escolhas que tenho feito, são feitas aqui de baixo. esses dias lembrei do Tempo Bantu, estou vivendo a Luvemba.
vou começar dizendo em silêncio que: se eu pudesse continuaria falando calada. Eu tenho olhado com olhos fechados para a fumaça do Quarto Fumê e enxergado a luz ultra violeta. E quando a vejo, entendo esse meu cansaço de ser vista, que é porque quando me veem pedem para meus olhos de travesti enxergarem a Cura para os seus de viado preguiçoso e medroso.
Mas sou canceriana com muitos planetas em gêmeos, então me perco no desejo de dizer sobre o amor. Amo Rodrigo, Marcela e agora Jade e Rainha. As vezes esqueço como me amar e respirar. A disforia de gênero é um vicio racista, e teve uma gira que exú gargalhou de minha cara e disse: nem elas acreditam no que falam, você precisa acreditar em você!
Então eu disse: não me interesso em ficar zigzagueando de homem pra mulher. Enquanto isso ja virei trava e tem uns meses que meu corpo pede vários banhos durante a semana. Ai lavo minha cabeça mas não posso esquecer de limpar meu chakra Anahata. Entendi que disforia é um mal olhado porque é um olhar racista cisgênero.
Então enquanto se importam em conquistar a branquitude para ter visibilidade, faço yoga com vontade de voltar a fazer capoeira, para desaprender o desejo de representar e ser representada. E uso óleo essencial de gerânio. Ai vou me lembrando....
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
Transicionei quando subi e desci a Fonte Grande. Transmutei de flor para terra quando mergulhei nas luas e aceitei: hoje sou benzendeira porque virei travesti e antes fui sodomita porque sabia prevê o futuro.Virei travesti quando acessei minha ancestralidade sodomita, e dobrei o Tempo colonial que nunca me fez sua. A espiritualidade travesti não existe, porque esse não é nosso nome. Travesti não se traduz e travesti já é uma tradução. Travestilidade e espiritualidade são traduções coloniais de nossas transmutações. Ou com nosso alfabeto conseguimos construir linguagens de fuga?
Sou macumbeira porque sou negra. E perambulo na luz negra, porque sou travesti.
Escrevo em português para dizer que macumba ta no meu sangue, e se no meu sangue há mar é porque sou rio que afunda e chorou de alegria quando eu morri. Para a alquimia, transmutação é a conversão de um elemento químico em outro. Somos alquimistas porque de corpo-flor transicionamos para ametista, e na tradução colonial viramos apenas travestis.
A macumbaria é uma encruzilhada feita com Química, Física, Biologia, Medicina, Semiótica, Arte, , Astrologia, Filosofia, Metalurgia, Geologia e Matemática. E a minha transmutação foi quando derreti no encontro de fogos, e nesse fogaréu beijei minha pomba gira e a disse: muitas gracias, lembrei que também sou éter, virei trava.
Porque foi incorporando que vivi o Tempo espiralado, e deixei minha matéria ser dilacerada pela rapidez de Gêmeos e ventania e Oya. Eu morri mas ainda não fiz o que devo fazer. Porque eu mergulhei bem fundo e gozei tendo medo. Eu não aguento mais essa década. Em minha garganta tem um choro preso num corpo que não é mais meu. Essa noite vou girar até morrer. Morrerei lembrando de tudo, e voltarei para buscar os estantes que não vivi por ter medo de amar. Te amo meu preto,
eu estou transmutando. porque entrei na macumba e transmutei antes de transicionar. ou enquanto transicionava. porque esse Mundo me disse que eu estava transicionado antes de eu ter coragem de assumir que sim estava indo a um outro outro lugar. mas quando a tive - a coragem - eu abandonei o lugar da transsexualidade que nunca me permitiram ficar e reencontrei meu corpo fora da cognição cisgênera que não alcança a frequência que a transmutação travesti produz. é um som distante. mas que irrita porque se faz perto, e essa distancia pequena é necessária para a existência da cisgeneridade.
tenho tido uma vontade enorme de ter peitos. peitos tem sido a transmutação. sonho com peitos grandes e pequenos mas não sei dimensiona-los de fato. lembro que preciso experimentar para consegui entender. então tenho estudado hormônios. hominização. o que é o hormônio em nosso corpo carnal? sei e sinto que o bloqueador enfraquece minha relação com Exú. Pois bloquear a testoterona de meu corpo é diminuir a libido. sim, exu não é só libido, mas pra mim tem sido muito disso.
sinto meu corpo com fome de modificação. então vou pro cabelo. vou pra cabeça. vou pro ori. Modificações carnais. dessa frequencia encarnada.
na fonte grande eu não sabia que era negra. gostava de pau, e não tinha problemas com buceta. não conhecia a disforia nem o racismo. a disforia é racista. o racismo também é uma disforia.
e quando me aproximo de outros mundos me sinto melhor. Mundo vegetal e mineral e animal.
É isso. estou me equilibrando. conectar-me aos mundos animais, vegetais e minerais.
tenho tido uma vontade enorme de ter peitos. peitos tem sido a transmutação. sonho com peitos grandes e pequenos mas não sei dimensiona-los de fato. lembro que preciso experimentar para consegui entender. então tenho estudado hormônios. hominização. o que é o hormônio em nosso corpo carnal? sei e sinto que o bloqueador enfraquece minha relação com Exú. Pois bloquear a testoterona de meu corpo é diminuir a libido. sim, exu não é só libido, mas pra mim tem sido muito disso.
sinto meu corpo com fome de modificação. então vou pro cabelo. vou pra cabeça. vou pro ori. Modificações carnais. dessa frequencia encarnada.
na fonte grande eu não sabia que era negra. gostava de pau, e não tinha problemas com buceta. não conhecia a disforia nem o racismo. a disforia é racista. o racismo também é uma disforia.
e quando me aproximo de outros mundos me sinto melhor. Mundo vegetal e mineral e animal.
É isso. estou me equilibrando. conectar-me aos mundos animais, vegetais e minerais.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2019
A dor da morte é azul e a vida parece vermelha. Eu sou uma trava negra, mas quero ser roxa. Mistura morrer e viver, que é a transmutação. Transmutar é a conversão de um elemento químico a outro. E na umbanda, aprendi com caboclos e sereias sobre seus corpos híbridos de mar, terra e ar. Também estou trabalhando nas encruzas para continuar me transmutando, por isso torno-me contraditória na colonialidade. Sempre peço calma à Oxalá e inteligência aos marujos para viver a travestilidade sem ser refém dessa identidade, ai eles me ensinam que devo preparar meu corpo. Ficar de preceito na macumba é foda mas aprendo pra crlh. Então o que tenho feito é viver no tempo do meu corpo transmutado, e as vezes no tempo identitário quando preciso ganhar dinheiro para fazer aqué. Transmutar é isso: negociações entre morte e vida.
sábado, 30 de novembro de 2019
Sem aqué não há axé. Existe uma diferença entre dinheiro e aqué. Quem cata de pajubá vai entender. Dinheiro é ferramenta. Aqué é mistério. E vocês amam roubar comprando ne. Vocês compram arte de bixa e não sabem nada de travesti. Galerias querem travas sem corpo de bixa.
Não há mal que possa derrubar um coração carregado de fé. A fé e o amor ao sagrado feminino de merda. Faz com que possamos respirar embaixo d'água. Nunca v viver é emergir no corpo. Nunca somos humanas.e antes de sermos sereias, somos água.
Não há mal que possa derrubar um coração carregado de fé. A fé e o amor ao sagrado feminino de merda. Faz com que possamos respirar embaixo d'água. Nunca v viver é emergir no corpo. Nunca somos humanas.e antes de sermos sereias, somos água.
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