Me é preciso acreditar que eu consigo. Eu consigo. Pois eu sou o meu próprio fim.
Lembrar daquilo que esqueci, enquanto subo e desço a Fonte Grande (Vitória/ES, BR). Criar um mapa das fontes da Fonte Grande. É uma experiência estética de imersão que inicia-se em julho de 2018. É uma promessa que fiz pro meu avô, que descobri ser uma aposta que ele fez em mim. Subir e descer semanalmente a Fonte Grande durante o tempo que me for necessário viver.
terça-feira, 18 de janeiro de 2022
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
domingo, 19 de dezembro de 2021
ngasakidila
obrigada
gmisakidila
eu nao sei agradecer àquilo que nem mesmo sem dizer o que é. para agradecer a algo eu preciso saber o que é. nao se agradece ao nada como se nao houvesse ali algo, ainda que apenas o vazio. digo, quando agradecemos afirmamos a presença, a existencia, a sabedoria e as vontades da matéria que nos possibilita proclamar tais gestous ou desejos: ngasakidila, obrigada.
entao eu agradeco a mim mesma, porque eu decidi fazer de mim a minha propria filha, fiz de mim um momento embreagado, e ali deitei, olhei para o céu, e tonta proclamei: obrigada, sei que nao conseguirei voltar da mesma forma, mas aqui estou e use-me da maneira que achares e sentires que devo ser usada, pois eu digo sim: SIM, sou uma ancestral do futuro. Eu sou a morte.
terça-feira, 14 de dezembro de 2021
após um sopro, minha garganta não mais importava pois o vento se fez foi pela minhas narinas. De boca fechada pensei: nao gostaria de lembrar, preciso de paz. No entanto senti novamente a presenca dos traidores. Foram alguns anos defendendo nossos encontros, e bastou eu dizer sim à mim que meus olhos foram desfeitos de seu lugar privilegiado, minha pele tornou-se o principial suporte da tristeza, entao sempre que eu lembrava deles, em minha pele sentia um arrepio de fora pra dentro ou de dentro pra fora, nao importava, o que eu desejava era esquecer da verdade: muitos daquelas criaturas escolhem todos os dias pela traicao, ainda que me amem.
Sim, é um triste fato.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2021
acreditas naquela espécie como um farol que acredita que o mar nunca o ira destruir.
pensas que aquele grupo de animais sao pescadores, pois ainda estam presas nas redes, achando que elas sao abracos, convites, favores. Se alguma de voces forem colocadas em aquarios, sei que sentiram amadas. Mas os olhos de quem assiste o nado sincronizado com o desejo do pescador... esta bem, matamos o pescador de fome, se migramos, mesmo com medo. Trocando de lugar veremos algumas de nos sendo engolidas por criaturas maiores, sendo enlidades por olhos adgua, viveremos novos problemas e enquanto contiuarmos a jornada da migracao, seremos livres.
Traidores: aqueles cuja a leaudade foi abandonada no momento em que escolheram se render à vergonha de nos amar
predadores: aqueles que nao conhecem a vergonha e assim amam o fato de poder nos matar.
mergulhadores: homens corajosos, no entanto, homens.
mar: não existe quando descobrimos que podemos respirar de olhos fechados, ainda que nossos olhos consigam enxergar a transparencia da agua se metaforseando para a escuridao. Pois a transparencia pressupoe um fundo de color inestimável ao olhos do pescador, ainda que este homem acredite em sereias e coma animais nascidos no fundo do mar.
eu: sim, uma criatura estranha cuja a qual tem medo de viver sua liberdade pois nao sabe o que é descansar em outro lugar que nao o mar.
mar: transforma-se num aquario quando ignoramos a necessidade de seu fim, as praias e ilhas.
mar: o berco de um furacao quando respeitamos sua vontade e decidimos deitar de barriga para cima, e deixar nosso corpo ser arrancado da inercia pela forca liquida, o sangue.
mar e sangue: desenhos diferentes que dizem sobre a mesma coisa, o principio da vida, a liquidez.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2021
Eu sonhei que estava prestes a viajar. Perto de mim havia livros enormes sobre espaco cideral, o lugar neste momento era uma biblioteca velha. Havia varios livros enormes , mediam a metade de meu corpo, tinham capa dura e estavam empoeirados. Mas eu estava atrasada. Em outro momento, eu aterrizava no meio das dunas no maranhao, eu precisava escolhar se ia para direita ou esquerda, entao eu decidia ir para direita ou esquerda. Estava eu no topo de uma das dunas, e neste topo havia toras de madeira enterradas que impossibilitavam eu cair, entao fui me apoiando nelas ate chegar no fim da montanha de areia. Fui me arrastando, para nao cair em alguns dos lados, e no fim cheguei na rua asfaltada, entrei dentro de uma casa e onde eu ja conhecia as duas mulheres que estavam la dentro. Eu a disse que precisava encontrar a Ge Viana. Eu estava tranquila, segura. Precisava ir para Sao Luiz. Acordei.
quinta-feira, 25 de novembro de 2021
Ainda não consigo falar de sua morte, no entanto a morte não é nada mais que uma inevitabilidade vermelha ou branca, que nos sugere alguns sacrifícios tristes e necessários a serem feitos. De fato não se trata de um herói, pois de fato, percebo que infinitude e eternidade são flores diferentes, feias quando plantadas com ganância. E eu penso em você como a beira mar, pois eu passei muito tempo tendo medo do que eu sou: uma grande onda, que afoga seus amores, e os assistem morrer. É complicado, triste, porque não somos heróis, não somos a resposta, não somos a chave que abre um tempo onde não há violência, porque não vivemos esses delírios; ainda que soframos por decidimos caminhar nas estradas por eles abertas. Trata-se de uma jornada de um guerreiro? Não sei, eu diria com o sol, com júpiter. Então eu diria: trata-se da jornada de um asteroide, como esse cuja rota era colidir com nosso planeta. Sim, a jornada de um corpo celeste... névoa, poeira, sons inalcançáveis à algumas que leem, e o magnetismo sideral que juntou, separou, tem em sua órbita anéis e quando sua gravidade mudou... e continua dançando... eclipse... um quasar... Jaider Esbell.
quinta-feira, 4 de novembro de 2021
hoje me despedi de você sentindo a tristeza como um vento que passa, que chega por direcoes diferentes e em momentos importantes ou nem tanto. que passa, mas que sempre chega. no entanto, sempre passa.
me despedi sempre foi um grito dos mais dificeis a serem construidos, porque eu nao sei viver apos do fim. eu sinto Que nao existe volta após o fim, porque nao existe passado, que nao existe até o mesmo o adeus. só existe uma nova vida a ser trilhada, e para que voce esteja comigo te convido a também entender que eu disse fim a nós, disse fim a mim, e disse fim ao futuro prometido. eu disse fim ao futuro. e olá ao inesperado.
Mas esse é um momento, dura a quantidade de tempo em que o fim é anunciado pela minha boca. No primeiro momento em que eu digo "acabou", as coisas realmente passam a acabar. é um marco, ainda que fiquemos o resto da vida tentando terminar e construir outra relação, o que acontecia ja acabou, ainda que fiquemos o resto da vida mentindo pra nós mesmos que temos aquele amor, aquele cuidado que ja nao existe mais.
o fato é que eu sou uma princesa, herdeira de um trono que ainda nao o nome mas tenho a lembraça de que sofrerei para assumi-lo. e estou fazendo o que deve ser feito: abandonar a nós, para construir outra de mim, meu reinado. Eu sou uma princesa medrosa, serei uma rainha justa. Sim, eu nunca pensei em te banir de meu reino, mas o fato é que em meu reino há outros amores, outras preocupações, porque meu reinado nao é voce, porque nao desejo comandar sua vida. Realmente, quero todos voces livres.
Eu perdir minha mae logo cedo. E durante esses anos de sua ausência, aprendi a fazer escolhas. Decidi que serei uma mae que ensinarar aos seus filhos que eles sao crias de outras vidas além de mim. Eu sou fruto de outras coisas além de nós. Por isso sou livre.
terça-feira, 2 de novembro de 2021
Ahora soy una kalema, forte, segura se si y que no mas se assusta con tu proprio viento. Solamente soy esta barulho que te extrana y que me faz vibrar en la presencia de mi miesmo: kalema.
Sy, soy yo laquela que para olvidarte de ti, te olhestes en tu ojos e falastes: adeus, não mais te quero por perto.
segunda-feira, 18 de outubro de 2021
Estava eu olhando admirando meu pesadelo, que naquele momento continuava a me seduzi com seu movimento, Son e cores marinhas. Já não há pesadelos quando desejo estar junto a ti, ainda que você seja uma de minhas mais perigosas inimigas; oh grande Onda. Sim, sou sua e naquele passeio te admirei e te protegi com aquilo que tenho de mais sagrado e verdadeiro em mim: minha voz. Gritei para que ouvir "olhe para as ondas!"e quanto maiores eram, mais minha boca enchia de alegria. Eu fechei os olhos e enxerguei seu campo magnético acontecendo em mim, forma de lagrimas. Suas cores azuladas se derramavam num estranho branco que cintilava minha saudade e minha gratidão em te ter aqui por perto; meu sangue. Era calor, o passeio aparentava esta acontecendo num festival daquele esporte em que esses animais tentam se equilibrar na imprevisibilidade de forma, na forma de seu cheiro, no mar e em seus dilúvios. É lindo quando tudo se desabada, suas partículas demonstram em grande escala que tudo esta prestes a se misturar, ainda quando temos medo das tempestades. Pois o meu medo é te esquecer, e ja nao o tenho quando consigo dançar junto com oce. Dancei, gritei, briguei e sai de sua areia, subi a rochas e entrei dentro de um tempo que estava suspendo no ar e enraizado na terra; que interessante, pois me parece ser real os fins dos relacionamentos. Pois o encontrei, eu o queria próximo a mim e ele disse-me raivoso sobre uma poesia em que eu havia dito que nao mais o amava. De fato, mas mais o amo, pois a saudade que tenho nao é dele mas de nós. A questão que se apresenta é: se novamente o desconheco, então haverá a inevitável possibilidade de novamente ama-lo. Mas fiquei quieta. Mas expliquei a ele. Demos um beijo. O beijei. Ele continuou com raiva, mas eu estava serena. Atenta a sua raiva. Ele desejava ver a mesma forma, mas pescadores sabem que nao existe o mesmo mar ainda que esteja no mesmo barco procurando por aquele peixe que ja foi assassinado e jantado pela sua família. Pescadores conhecem o mar, tao bem quanto os surfistas. Mas surfistas sao necessários, interessantes aos que tem medo do mar e a nos que nao somos daqui mas aqui estamos. No entanto, os pescadores sao os que mais me apetecem. Pescadores sabem que os peixes nao sao seus maiores tesouros, pois sabem que a pescaria é um exercício espiritual que nao se restrigem a carne, e sim ampliam seus repertórios de memória, modificam sua alma. Porque os tesouros que encontram na pescaria sao ventanias, sabores, medos e anseios. E tambêm as informações necessárias para continuarem sua jornada neste Planeta Terra. Encontram-se comigo, sou eu quem lhe dou o fim, sou eu quem lhe amo e sou eu quem lhe quero a pescar para mim. Pescadores sao informantes, eles sao os meus peixes. Peixes do vento, peixes do ar. É isso que são.
terça-feira, 5 de outubro de 2021
Ó grande morte, venha ate mim e quebre todos os meus ossos, ate se tornarem farinha, e fumaça e fogo. E o fogo que arderá meu sangue, há de se tornar o liquido que lubrificara minha garganta para que eu possa gritar : EU NAO QUERO! NAO QUERO ESTAR AQUI, LEVEM-ME COM VOCES. ESTOU PRONTA. Eu quero esta aqui, dentro desta agua barrenta que chamamos de praia. Em Jacaraipe as aguas das praias sao assim, barrentas e quentes. Mas quentes do que as praias de vitoria. Mas em nenhuma delas há a temperatura de meu sangue quando encontro vocês. Sim, porque nao sou uma praia, nao sou o mar, nao sou Yemanjá. Sou o vento, nao sou os peixes, nao sou a beira mar, não sou as aguas podrificadas pelo esgoto de Vitoria, nao sou um navio, nao sou a rede. Eu olho para o horizonte, e entendo. Eu entendi, eu sou Castiel, meu nome é Castiel e um dia terei entre minhas pernas um buraco por onde também me afogarei sempre que eu tiver medo de pronunciar minha mais pura verdade, em voz alta: meu nome.
Ok, então chegamos ate aqui. Digo a mim mesma quando voces estao aqui na minha frente, e digo a vocês que eu também estou em suas frentes. Eu tenho vontade propor uma dança. Ou melhor, uma reza onde nos posicionaríamos num circulo, de costas umas pra outras e cada uma de nos iria gritar como golfinhos. Nao escoltaríamos umas as outras, porque nao haveria essa possibilidade a partir do momento que em nossas vidas se desmanchassem dessa forma bipide que nos tornamos e neste momento seriamos azuis, para exemplificar aquela cor que eu enxerguei mas nao sei dizer o nome. Azul escuro, e de outras tonalidades. Sim. Estou aqui, na beira do mar, e estou começar a ficar com raiva porque ainda estou aqui. Estou com raiva porque vocês me olham e nao me tiram daqui. Tirem-me daqui, agora! Agora! Eu quero que me tirem daqui agora! Que facam o buraco agora! agora! AGORA!
Desculpe. Desculpe-me! Desculpe porra. Desculpe, desculpe, desculpe. Que merda! Eu sou uma merda. Arg!
Que merda, desculpe-me.
quarta-feira, 15 de setembro de 2021
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
quinta-feira, 9 de setembro de 2021
não existe nenhuma separação entre arte e alma. e meu trabalho é sim um exercicio espiritual. mas temos espiritualidades diferentes e não estamos no mesmo barco. e eu acredito na transfiguração da alma, mas eu não tenho interesse em participar de alguns de seus cultos. e eu não me importo se venham até mim desejando um banquete ou uma preta-velha benzendeira, porque em todo planeta há bruxas, terapeutas ou artistas, mas não são todas que me interessam. e eu não cultuo os generos ou a negritude. então não entre em minha obra se deseja encontrar com o seu demonio. ou saia de minha obra imediatamente quando perceber que ainda deseja encontrar em mim, suas vontades. acredito na cura como um desencanto.
obrigada
#quartodecura em @frestas.trienal.artes
segunda-feira, 30 de agosto de 2021
encontrei-os e persisti, decidi dizer sim ao fim da imagem e o encontrei, o beijei, o chupei e nada foi registrado ao não ser minha lembrança. olhei para o lado, e nossas sombras criaram uma escultura lindíssima no barro vermelho, mas não fotografei: fechei os olhos e pedi para que aquela cena nunca fosse esquecida. e ta dando certo.
terça-feira, 10 de agosto de 2021
domingo, 8 de agosto de 2021
não há erro entre nós. apenas uma enfermidade, um fato ruim que se sucedeu. daqui eu não gostaria de ter feito aquilo, e daqui também eu sinto que não fiz nada, foi obra do acaso. nosso destino se concretizou, nos encontramos, e no encontro vivemos o acaso. interessante, e espero que você não tenha ficado chateado comigo, ainda que a situação nos tenha deixado chateados. sim, cheatamo-nos com a situação. eu queria que continuassemos no radar um do outro, talvez tentar novamente. mas não tenho coragem de assim o fazer, porque estou magoada comigo mesma e com a siuação. homens: criaturas estranhas, as quais me apaixono e me desenamoro-me. sim, eu penso que aos proximos, oferecerei uma cerveja, porque preciso disso. sim, é um fato: entramos no mar, nos sujamos e não soubemos lidar com isso naquela situação.