eu aprendi a encontrar minhas amigas com a meditação. sei sentir nosso vinculo sutil. nossa alma interligada. aprendi estando longe delas, porque estar longe me faz ter coragem para me sacrificar ao encontro. então fico buscando formas de encontra-las estando longe. e criei varias dessas formas. agora eu quero fazer o caminho de volta. quero encontra-las pessoalmente, em carne e osso. quero sentir o osso e carne. quero encontra-las, abraça-las, beija-las, sentir sua temperatura. eu fiz amizade em todo o Brasil. mas nenhuma substitui minhas amigas de espirito santo. nada substitui nada. mayara, roger, rodrigo, eva, dora, laura, marcela, julia, natan, thais, gabi, mateus, minha irmã lara, minha sobrinha iris... renato santos. sim, é uma saudade dos meus amigos e amigas. é isso, uma saudade cotidiana. uma saudade de um cotidiano que ja vivi e do encontro que ainda posso viver com magno...
Lembrar daquilo que esqueci, enquanto subo e desço a Fonte Grande (Vitória/ES, BR). Criar um mapa das fontes da Fonte Grande. É uma experiência estética de imersão que inicia-se em julho de 2018. É uma promessa que fiz pro meu avô, que descobri ser uma aposta que ele fez em mim. Subir e descer semanalmente a Fonte Grande durante o tempo que me for necessário viver.
quarta-feira, 28 de outubro de 2020
segunda-feira, 26 de outubro de 2020
há 4 meses atrás eu fazia 24 anos. eu me dei de presente dreads, e sonhei com o formato que estou hoje; sem extensões feitas com cabelos de pessoas que desconheço. agora as vezes me imagino careca, sem cabelo. me imagino nascendo de novo e não tenho medo. mas tenho preguiça, cansaço, me pergunto: será que quero ter essa força? mas sou filha de Exú, e não posso ter querer. ainda sim, quero descansar, e depois decidi o que fazer. porque ja sei que vou continuar, e sei que desejo continuar. sei que o sacrifício sera feito, porque eu amo me sacrificar. quero esta preparada para isso. quero esta descansada para gozar com o sacrificio. cheguei num nível dificil. esse ano fui para alemanha, morei em Berlin por 10 dias. quero ir pra vitória, construir meu local de descanso. tenho insegurança.. medos de cometer os mesmos equivocos que meus pais e padrinhos sofreram em suas construções na fonte grande, mas não há culpa... a colonialidade é a responsável pela evasão e minha volta é um desejo meu. um desejo meu. eu construi esse desejo. estou construindo coragem. e quero o descanso...
serei novamente filha? tenho sonhado com minha mãe nesse ano... serei novamente filha? ou serei mãe?
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
Todos os filmes foram produzidos no Espírito Santo, e essa será a primeira exibição,em festival, dos curtas O Trauma é Brasileiro e Lembrar Daquilo que Esqueci. Essas três obras são desdobramentos de minha pesquisa acerca das tradições Bantu que acontecem no estado, especialmente no Morro da Fonte Grande e na Ilha de Vitória. Experiências e assuntos como o segredo/mistério, o tempo espiralado, a travestilidade, a escuridão, a negritude, as memórias da transfiguração, a macumbaria, são alguns dos pilares que organizam e desorganizam essa pesquisa estética-clínica que tem sido feita através ( entre outras linguagens) da produção de filmes.
quarta-feira, 7 de outubro de 2020
quarta-feira, 9 de setembro de 2020
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Hoje cedo eu arrenquei meu coração deste corpo que não o merece. Este corpo que o sobrecarregou, que extrapolou a capacidade de absorção e filttração de emoções desse orgão, que agora descança em meu colo.
Ao ser arrancado deste peito, meu coração sangrou lágrimas. Chorou sangue. Se fez carne suja de ressentimento e cansaço. Foi então que eu o levei para um banho de ervas. Usei arruda, guine, alfazema, malva e hortelã. Mas não foi suficiente.
Precisei abrir meu coração e o intupir de sal grosso. Ainda havia sujeita escondida em suas dobras interiores. O sal então as engoliu, revitalizando meu coração, mais o transformando em carne seca, rigida, protegida por uma grossa camada de aprendizado e medo de ser novamente judiado.
Agora eu o idrato com minhas lagrimas de audades e superação. Em meu colo, essa carne se molha de amor. Descança, e aos poucos se amolece novamente, para consegui voltar a este corpo que sobreviveiu a um amor que nao foi reciproco.
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
O diabo
- ai me perdi...
-você estava falando de ter medo, sei la.
- ah sim, é... to perdendo o medo da imprevisibilidade.
- ta vivendo o tempo espiralado?
- não sei. Essa binaridade de "linear ou espiral" é uma merda.
- nós não somos binárias mesmo sendo femininas... digo, nós travestis. Não somos homens nem mulher e bla bla bla. Senti isso... lembrei, sei la. Acho que tem a ver com frequência também, né?
- travesti é um gênero, nada mais. Um gênero!
- sim, e foda-se. To dizendo da frequência do nosso corpo transfigurado. Ou, da frequência que possibilita nossa transfiguração.
-hum. eai amore?
- então não to falando de gênero... mas to falando especificamente de nós travestis. que confusão! porra, que difícil dizer sobre nosso corpo.
- pois é, a merda é essa. a língua que a gente se comunica é uma desgraça. To tentando falar COM o corpo. Sei la também
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
terça-feira, 11 de agosto de 2020
Escrevo sobre aquilo que entidades me cotam, algumas coisas eu compartilho outras eu guardo segredo. Escrevo com medo, com preguiça, com raiva, com vontade de desistir. Ai depois eu sinto prazer... as vezes durante também. Mas é sempre muito cansativo. E na leitura não é diferente... ano passado comecei a ler A Parabola do Semeador... precisei de 6 meses para ler metade do livro. Depois demorei mais 3 meses para consegui tocar nele novamente e dar continuidade a leitura, ai quando terminei fiquei feliz e desde então estou supreendida com o poder da obra de Octavia Butler em minha vitalidade... ela me redireciona, me puxa, me larga...
Mas nunca senti medo de Octavia ou de Jota. Medo não há, e muito há a segurança de que não preciso ficar me explicando muito para me comunicar. Elas me ensinam a comunicar-me. No inicio de minha transição de genero eu lia muito Jota... a escrita me ajudou a criar Castiel. Ler Octavia me ajuda a abandonar Castiel... que é o abandono da nomeação... tornar-me inominável, insôndável, imprevisível...
As duas ficcionam, e penso que ficcionar é manipular muito bem essa linearidade que nos constituem. Da linguagem Portugues eu não espero nada além do que ela pode me oferecer: o mundo amaldiçoado. Mas as altoras me ajudam a usar a palavra como ferramenta de convite... me ajuda a criar convites e lembretes para se perder na Kalunga; lugar onde as formas se diluem e onde a força vital toma o lugar da raça.
terça-feira, 28 de julho de 2020
Macumba é movimento que gera energia e energia que gera movimento. Meu encontro virtual com minha amiga Ventura Profana alterou o campo energético de minha casa e nossa conexão invisível provou que a internet não é a nova roda mas sim incompetente em sua falsa promessa de dar visibilidade.
Porque, a invisibilidade de nossas conexões macumbeiras já nos era uma realidade tecnológica; não virtal, mas carnal. Quando nos comunicamos pelo olhar, e mesmo no escuro, no apagão, acessamos uma a outra e reafirmamos nossa persistência de continuarmos juntas. Afirmamos a incorporação uma da outra.
Se de fato somos espiritualizadas, nossa energia nunca será suportada pelo wifi.
Mas, isso é o nosso mistério. Porque ainda assim nos tornamos visíveis aos olhos da contemplação que pouco conseguem nos encontrar no apagão; e nem devem.
domingo, 26 de julho de 2020
olha, eu nao botei mt minha voz pq fico recuada nos encontros virtuais, me limitam em algm lugar esse registro “nao presencial” q n tem ali a carne emanado calor, o respiro o toque né...mas sinto q ultrapassamos ali a frieza da tela, estou mt tocada atravessada por td q foi implicado ali, por essa espiral q mergulhamos. porra sou mt admiradora de seu trabalho de todas as suas perambulancias compartilhadas. foi um alimento sagrado esses encontro, agradeço por torna isto possível! torcendo sempre por ti,compartilho todo carinho amor e luz pros teus caminhos! e eu amo seu sorriso, uma delicia! te sinto. bejao!🦋❤️
sexta-feira, 17 de julho de 2020
A transfiguração antecede a palavra, porque o corpo antecede qualquer linguagem criada na encarnação, mesmo que a linguagem crie corpos.
Então, a palavra Travesti antecede as nomeações Queer no Brasil, e desde sempre aponta para transmutações que hoje são traduzidas como Queer. Mas Travesti não se traduz; assim como Bixa e Sapatão também não.
Por isso estudo, compreendo, respeito e modifico a história da palavra e das existências Travestis.
Porque no Brasil a monstruosidade só é opção pras pessoas brancas. Sou negra, nasci monstra.
Então como é possível abdicar de uma coisa que nunca tive (a humanidade, a normalidade ) ?
A Beleza Travesti é a beleza da Transfiguração. Então é a beleza fenotípica e espiritual.
Olha, eu não trabalho com a categoria Queer nem com a Mulher.
segunda-feira, 13 de julho de 2020
sexta-feira, 26 de junho de 2020
[08:05, 26/06/2020] tia tati: Casti, q neste dia tão especial que é seu aniversário, só podemos mesmo agradecer a Deus pela sua vida, pela proteção através de nossas orações, pela sua saúde . Vc é uma estrela q brilha, é meu grande orgulho, meu grande amor é graças a Deus hj estamos juntas para celebrar sua vida. Te amo, mais q demais ❣❣❣❣💖💖💖💖💖😍😍😍😍
[11:27, 26/06/2020] Marcela Trava: Parabéns, minha irmã de silicone industrial, que dandara sedução te preserve e te direcione nos melhores caminhos acadêmicos e pessoais possíveis, que não te falte aqué pra bombar o quadril e nem libido pra deixar a neca disfórica odara. A senhora merece tudo dje bom e maravigoldness nessa empreitada macumbeira e psicóloga. Te amo, te mamo e te desejo o mundo inteirinho. Feliz niver, garalhun!!!!!!!!1

