Estava eu olhando admirando meu pesadelo, que naquele momento continuava a me seduzi com seu movimento, Son e cores marinhas. Já não há pesadelos quando desejo estar junto a ti, ainda que você seja uma de minhas mais perigosas inimigas; oh grande Onda. Sim, sou sua e naquele passeio te admirei e te protegi com aquilo que tenho de mais sagrado e verdadeiro em mim: minha voz. Gritei para que ouvir "olhe para as ondas!"e quanto maiores eram, mais minha boca enchia de alegria. Eu fechei os olhos e enxerguei seu campo magnético acontecendo em mim, forma de lagrimas. Suas cores azuladas se derramavam num estranho branco que cintilava minha saudade e minha gratidão em te ter aqui por perto; meu sangue. Era calor, o passeio aparentava esta acontecendo num festival daquele esporte em que esses animais tentam se equilibrar na imprevisibilidade de forma, na forma de seu cheiro, no mar e em seus dilúvios. É lindo quando tudo se desabada, suas partículas demonstram em grande escala que tudo esta prestes a se misturar, ainda quando temos medo das tempestades. Pois o meu medo é te esquecer, e ja nao o tenho quando consigo dançar junto com oce. Dancei, gritei, briguei e sai de sua areia, subi a rochas e entrei dentro de um tempo que estava suspendo no ar e enraizado na terra; que interessante, pois me parece ser real os fins dos relacionamentos. Pois o encontrei, eu o queria próximo a mim e ele disse-me raivoso sobre uma poesia em que eu havia dito que nao mais o amava. De fato, mas mais o amo, pois a saudade que tenho nao é dele mas de nós. A questão que se apresenta é: se novamente o desconheco, então haverá a inevitável possibilidade de novamente ama-lo. Mas fiquei quieta. Mas expliquei a ele. Demos um beijo. O beijei. Ele continuou com raiva, mas eu estava serena. Atenta a sua raiva. Ele desejava ver a mesma forma, mas pescadores sabem que nao existe o mesmo mar ainda que esteja no mesmo barco procurando por aquele peixe que ja foi assassinado e jantado pela sua família. Pescadores conhecem o mar, tao bem quanto os surfistas. Mas surfistas sao necessários, interessantes aos que tem medo do mar e a nos que nao somos daqui mas aqui estamos. No entanto, os pescadores sao os que mais me apetecem. Pescadores sabem que os peixes nao sao seus maiores tesouros, pois sabem que a pescaria é um exercício espiritual que nao se restrigem a carne, e sim ampliam seus repertórios de memória, modificam sua alma. Porque os tesouros que encontram na pescaria sao ventanias, sabores, medos e anseios. E tambêm as informações necessárias para continuarem sua jornada neste Planeta Terra. Encontram-se comigo, sou eu quem lhe dou o fim, sou eu quem lhe amo e sou eu quem lhe quero a pescar para mim. Pescadores sao informantes, eles sao os meus peixes. Peixes do vento, peixes do ar. É isso que são.
Lembrar daquilo que esqueci, enquanto subo e desço a Fonte Grande (Vitória/ES, BR). Criar um mapa das fontes da Fonte Grande. É uma experiência estética de imersão que inicia-se em julho de 2018. É uma promessa que fiz pro meu avô, que descobri ser uma aposta que ele fez em mim. Subir e descer semanalmente a Fonte Grande durante o tempo que me for necessário viver.
segunda-feira, 18 de outubro de 2021
terça-feira, 5 de outubro de 2021
Ó grande morte, venha ate mim e quebre todos os meus ossos, ate se tornarem farinha, e fumaça e fogo. E o fogo que arderá meu sangue, há de se tornar o liquido que lubrificara minha garganta para que eu possa gritar : EU NAO QUERO! NAO QUERO ESTAR AQUI, LEVEM-ME COM VOCES. ESTOU PRONTA. Eu quero esta aqui, dentro desta agua barrenta que chamamos de praia. Em Jacaraipe as aguas das praias sao assim, barrentas e quentes. Mas quentes do que as praias de vitoria. Mas em nenhuma delas há a temperatura de meu sangue quando encontro vocês. Sim, porque nao sou uma praia, nao sou o mar, nao sou Yemanjá. Sou o vento, nao sou os peixes, nao sou a beira mar, não sou as aguas podrificadas pelo esgoto de Vitoria, nao sou um navio, nao sou a rede. Eu olho para o horizonte, e entendo. Eu entendi, eu sou Castiel, meu nome é Castiel e um dia terei entre minhas pernas um buraco por onde também me afogarei sempre que eu tiver medo de pronunciar minha mais pura verdade, em voz alta: meu nome.
Ok, então chegamos ate aqui. Digo a mim mesma quando voces estao aqui na minha frente, e digo a vocês que eu também estou em suas frentes. Eu tenho vontade propor uma dança. Ou melhor, uma reza onde nos posicionaríamos num circulo, de costas umas pra outras e cada uma de nos iria gritar como golfinhos. Nao escoltaríamos umas as outras, porque nao haveria essa possibilidade a partir do momento que em nossas vidas se desmanchassem dessa forma bipide que nos tornamos e neste momento seriamos azuis, para exemplificar aquela cor que eu enxerguei mas nao sei dizer o nome. Azul escuro, e de outras tonalidades. Sim. Estou aqui, na beira do mar, e estou começar a ficar com raiva porque ainda estou aqui. Estou com raiva porque vocês me olham e nao me tiram daqui. Tirem-me daqui, agora! Agora! Eu quero que me tirem daqui agora! Que facam o buraco agora! agora! AGORA!
Desculpe. Desculpe-me! Desculpe porra. Desculpe, desculpe, desculpe. Que merda! Eu sou uma merda. Arg!
Que merda, desculpe-me.
quarta-feira, 15 de setembro de 2021
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
quinta-feira, 9 de setembro de 2021
não existe nenhuma separação entre arte e alma. e meu trabalho é sim um exercicio espiritual. mas temos espiritualidades diferentes e não estamos no mesmo barco. e eu acredito na transfiguração da alma, mas eu não tenho interesse em participar de alguns de seus cultos. e eu não me importo se venham até mim desejando um banquete ou uma preta-velha benzendeira, porque em todo planeta há bruxas, terapeutas ou artistas, mas não são todas que me interessam. e eu não cultuo os generos ou a negritude. então não entre em minha obra se deseja encontrar com o seu demonio. ou saia de minha obra imediatamente quando perceber que ainda deseja encontrar em mim, suas vontades. acredito na cura como um desencanto.
obrigada
#quartodecura em @frestas.trienal.artes
segunda-feira, 30 de agosto de 2021
encontrei-os e persisti, decidi dizer sim ao fim da imagem e o encontrei, o beijei, o chupei e nada foi registrado ao não ser minha lembrança. olhei para o lado, e nossas sombras criaram uma escultura lindíssima no barro vermelho, mas não fotografei: fechei os olhos e pedi para que aquela cena nunca fosse esquecida. e ta dando certo.
terça-feira, 10 de agosto de 2021
domingo, 8 de agosto de 2021
não há erro entre nós. apenas uma enfermidade, um fato ruim que se sucedeu. daqui eu não gostaria de ter feito aquilo, e daqui também eu sinto que não fiz nada, foi obra do acaso. nosso destino se concretizou, nos encontramos, e no encontro vivemos o acaso. interessante, e espero que você não tenha ficado chateado comigo, ainda que a situação nos tenha deixado chateados. sim, cheatamo-nos com a situação. eu queria que continuassemos no radar um do outro, talvez tentar novamente. mas não tenho coragem de assim o fazer, porque estou magoada comigo mesma e com a siuação. homens: criaturas estranhas, as quais me apaixono e me desenamoro-me. sim, eu penso que aos proximos, oferecerei uma cerveja, porque preciso disso. sim, é um fato: entramos no mar, nos sujamos e não soubemos lidar com isso naquela situação.
me sentindo sozinha, porque aceitei que sim quero ser feliz nesta encarnação. porque meu corpo não se separa, ainda que se distancie de vocês e nós. então, sim, eu quero ser feliz, então, keine, yo quiero ser comida como un animal que tem rabo ainda que em minha espécie ele tenha desaparecido. mas eu estou aqui, pedindo, suplicando a mim mesma, porqueres e quereres, eu digo a mim: vá! faça! se decepcione, chore, durma! realmente, pois, a vida é triste, é choro, é decepcionante por as vezes. sim, você não é uma bruxa, por isso sua bruxaria é tão verdadeira consigo mesmo, porque você não é uma bruxa. sim, sou eu quem decidiu por aqui estar. então sou quem volto a dizer: quero ser penetrada com carinho, amor e força. entre em meu corpo, e faça dele algo interessante à mim e a você.
segunda-feira, 2 de agosto de 2021
recentemente eu descobri que sou uma sereia. Mas não é esse o meu nome, e estou tentando encontra-lo, me sinto sozinha. Porque ainda não sei qual é a lingua, a palavra, ou as letras, só sei que existe, que eu existo. mas não sei como dizer sobre mim, e a disforia atrapalha. porque não sou mulher, não sou uma sereia e não sou negra, então o que sou se é tudo isso que as pessoas acham que eu sou? estou sozinha entre conhecidas, pois agora sei que não sou daqui ou tenho possibilidade de ir para outro lugar, achar minha outra familia... o que faço se não confio em ninguém em minha volta? porque as pessoas em minha volta acham que sou negra, mulher, travesti, sereia. mas não sou nada disso, estou além disso. estou falando de violência e deslocamento radical dessa história. onde fico? para onde vou? para onde vou se não estou conseguindo me comunicar com ninguem sobre para onde quer ir? com quem eu devo falar? e porque? acho que devo continuar seguindo minha intuição, sei um lugar e vou batalhar pra ir la.... farei o que for necessario... mas quero me sentir segura.
domingo, 1 de agosto de 2021
Eme mukua kalunga.
La santa muerte es una kalema, kaloza.
Kubanza, kisoneko, kindala. Soy tu, somos la forma de la menya...
La anatomia de la menya. Y la santa muerte és un momiento, un movimiento... Es una kalema.
Y, el Mutuna, es un mona, un mudilongi, una mukanda à kalunga. Um designo de la kalunga.
sábado, 31 de julho de 2021
Prepadores e seus alimentos
E se abandonassemos o desejo de mostrar a eles, outros modos de se alimentarem? Mas se o alimento somos nós, então a fome de nossos predadores continuara sendo saciada.
E se nós, apredessemos a alimentarmos de outros modos, cuja a fome não se direciona para os alimentos de nossos predadores. Então, como seria construir outra rotina alimentar, que não aquela que nos conecta com os predadores. Ou seja, retirar de nós a vontade de querer ser alimento, e passar a caçar.
Então eu caçarei. E farei o que for preciso para saciar minha fome de agua.
quarta-feira, 28 de julho de 2021
quarta-feira, 30 de junho de 2021
🦞😘 parece-me que soy una espécie diferente pero no soy ? si, kiene, soy la forma de la sensacion de muerte. la santa muerte. ou, kana, soy la kyanda angolana que se alimenta junto de los mortos. kiene, si. la hechicera llegó a la luna...si, soy amante de los marujos ou dos homens que matam os peixes. os amo, os quero perto de mim. soy kyanda. os quero perto de mim. 🌊🦞😘
quinta-feira, 24 de junho de 2021
quarta-feira, 2 de junho de 2021
terça-feira, 1 de junho de 2021
REZA
Eme
Eie
Etu
Enu
Ene
Ngana Nzambi, ngassakidila por isso. ngassakidila ngana nzambi. ngassakidila. A memória não existe sem a permissão. O desejo prevalece, o caminho se modifica, mas meu desejo em continuar a de prevalecer.
Ngana Nzambi, afaste de mim todo e qualquer medo, vergonnha, boicote, desamor, makongo. quero ser lembrada como um vento húmido, uma tempestade de verão, quero ser essa kalema, kalema, kalema. kalema, kalema e kalunga.
kalunga, kalema
kalema,
kalema
kalema, kalunga
preta velha feiticeira, preta velha kimbandeira a ganga zimba abalao. berimbal tocou yuna, tocou berimbal kalunga, um toque triste de morte, a capoeira foi jogada ao som da triste canção. na boca de um ganga zumba, no fundo do coração. ieee vai la menina, mostra o que o meste ensinou, mostra que ao arrancar a planta que a semente ali plantou, se ela for bem cultivada, dará bom fruto bela flor.
kimbanda
iêe
iêe
iêe
dipanda, dipanda, dipanda, dipanda, dipanda, dipanda
eu não sou daqui, capoeira. eu sou discípulo de zimba, foi ele que me ensinou. eu quer capoeira, eu quero ver a rasteira, angola e regional.
Henda, muitas saudades
medo, tunda. kalunga, me dai forças!
tunda, tunda, tunda medo! kalunga, me dai forças.
Henda, henda, muitas saudades de vocês minhas imãs. Encontrarei cada uma de nós, até quando eu não mais lembrar do nome que nos deram.
Encontrarei cada uma de nossas que já não lembraram que existimos. Eu sou a mensageira. Eu sou. Nos encontrarei.
Venham até mim, chamem pelo meu nome. Me chamem pelo nome que eles não sabem. me chamem pelo som que eles não escutam. me mostre que não estou sozinha, me mostre o caminho do prazer, tire-me desta história, leve-me para onde eu disse que iria e hoje já não lembro mais onde fica.
Malembe
jikulumesso (abre os olhos/ fique atento)
Ngassakidila
Henda, se iavula, ibeka njinda!
não vou esperar a maré baixar, porque tenho amo quando meus pés não tocam o fundo do mar.
quando a maré baixar.
Kangiji ku utenda, kena ku ufua!
Kianda
Kianda
Kianda
Te espero, te quero
Kianda
Kianda
Kianda