Tempo de cura é um tempo não-ocidental. E esse tempo é composto em coletividade e experienciado de modo singular. Tempo é história, e a história se faz em gestos, e gestos produzem histórias.
Quais tempos há em nossos gestos?
Quais gestos produz cura?
Como o corpo produziu para si um tempo de cura?
Tempo é movimentação. Oriki. É movimento. E se tudo esta em udo, o que há no corpo que o possibilita a cura?
A cura é uma capacidade de manipular energia vital. Ou seja, vida. Ou seja, tempo. O que há no corpo de cura são vidas e temporalidades sendo manipuladas, equilibradas. A cura é uma produção de memórias, histórias.
Meu corpo é negro e bixa. Racializado e não-cisgenero. Tenho um caboclo que nos escolhemos antes de eu reencarnar.
A minha cura é um equilíbrio do meu tempo com o dele ( caboclo), que produz um tempo comum. O equilíbrio de nossas temporalidades produz um tempo como que é o tempo de cura.
O tempo de cura.
Não há possibilidade de cura, se não houver um respeito mutuo dessas vidas que compõe essa relação.
Caboclo tem um tempo espiritual, eu tenho um tempo carnal, marcado pela ocidentalidade.
O tempo de cura é um equilíbrio de temporalidades.
Não há porque o caboclo se incomodar com a minha sexualidade pois o caboclo é uma vida que esta num tempo que a sexualidade é compreendida de um modo que não é ocidental. A travestilidade e a bixalidade, e o racismo, não são experiencias que acontecem no mundo espiritual.
Para o avanço espirital acontecer, caboclos precisam nos ensinar que a vida é maior que nossas identidades. E para descolonizarmos, precisamos aprender o tempo que a macumba quer nos ensinar. Que é um tempo do corpo. E não da identidade. Essa é uma relação cosmogônica. É uma feitura de mundo. Qual mundo?
Lembrar daquilo que esqueci, enquanto subo e desço a Fonte Grande (Vitória/ES, BR). Criar um mapa das fontes da Fonte Grande. É uma experiência estética de imersão que inicia-se em julho de 2018. É uma promessa que fiz pro meu avô, que descobri ser uma aposta que ele fez em mim. Subir e descer semanalmente a Fonte Grande durante o tempo que me for necessário viver.
quarta-feira, 22 de maio de 2019
domingo, 19 de maio de 2019
ação "Descubra seu futuro", 2019: conversamos sobre nossos passados, enquanto olhamos antigos albuns de fotos de minha família. -
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minha avó Julite foi nesse dia. Ela que criou esse acervo de fotografias analógicas. Pelos menos 50 anos de registros. Quando vejo as fotos, consigo presentificar um futuro de liberdade. Estou criando meu album de fotos agora. Descobri meu futuro tem sido lembrar meu passado. Quando lembro como voltar, consigo avançar. Se fui, voltei. Se voltei, nunca deixei de esta aqui.
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minha avó Julite foi nesse dia. Ela que criou esse acervo de fotografias analógicas. Pelos menos 50 anos de registros. Quando vejo as fotos, consigo presentificar um futuro de liberdade. Estou criando meu album de fotos agora. Descobri meu futuro tem sido lembrar meu passado. Quando lembro como voltar, consigo avançar. Se fui, voltei. Se voltei, nunca deixei de esta aqui.
Casa de Renato Santos. Durante o Quintal Bantu.
domingo, 12 de maio de 2019
QUINTAL BANTU
Um acontecimento em reivindicação dos 484 anos de cultura bantu no Espirito Santo.
Estamos propondo uma celebração às vidas negras. Estamos criando um diálogo num tempo de cura. Convidamos você a viver um conjunto de experiências estéticas, que são culinárias e musicais. Numa tarde de domingo, iremos nos encontrar no morro da Fonte Grande. E juntes, vamos construir estratégias de sobrevivência.
Pedimos que tragam carne ou legumesArtistas propositores: Castiel Vitorino Brasileiro, Natan Dias, Rafael Segatto.
Data 19 de maio, das 13h às 18h
Local: Casa de Renato Santos, Morro da Fonte Grande
segunda-feira, 29 de abril de 2019
É coisa de familia. é de familia. sou dessa familia. minha avó julite enche o banheiro de plantas artificais. Antes eu não gostava e hoje eu amo. Ou antes eu não gostava quanto gosto hoje. E ontem eu fui na casa de Delma e vi que ela faz a mesma coisa. Gostei . É de família ne. Tia Maria, mão de Delma foi irmã do meu avô Binhinho que é marido do minha avó Julite, o tio da minha avó era marido de Tia Maria. Chega uma hora que sei la. Minha Tia Maria morreu 3 meses depois do meu avô. Ontem visitei o banheiro de sua casa. É coisa de família. Olhei essas fotos, pensei apenas isso: é coisa de família. Família Brasileiro.
ontem eu não havia mais Fonte Grande e Piedade. Na festa de Ogum, entendi que os dois bairros são duas faces da mesma espada. O como uso dessa espada para cortar? Assim é para agradecer. A espada precisa. Eu preciso produzir algo na espada que deixa minha mão firme. A espada de São Jorge é de crueldade e Cura. Foi Sandra que me disse isso. Me disse e fiquei.... perdida. Perdida. Aglutinei a informação, não consegui dizer nada. Eu sorrir e arregalei os olhos. Ela me disse aquilo que venho repetindo todos os dias pra mim mesma. A espada de Ogum é de crueldade e Cura. Ouvi isso de outra pessoa me deixou... Não sei como. É um desejo de se arrepiar. Ou, direcionar meu arrepio. Não é controlar, e sim direcionar.
domingo, 28 de abril de 2019
sábado, 27 de abril de 2019
sexta-feira, 26 de abril de 2019
quando eu esqueci o caminho ou fiquei perdida nas direções possíveis, rodrigo me lembrou que eu deveria fazer o caminho de volta. voltar para. então voltei e lembrei o que queria não ter esquecido. ai quando lembrei, tentei esquecer. quando lembrei esqueci de que? eu mais lembrei do que esqueci, e quando lembrei desejei esquecer. escrevendo agora, lembrei do meu desejo de esquecer. esquecer tudo. esquecer como é fazer amigos e esquecer como é sentir que meu corpo esta fraco. eu me desacostumei. e tenho me acostumado a alimentar meu desejo. eu desejo criar uma aliança que não seja não fique no dedo, mas tenho medo de assumir esse elo corporal que já existe. não é um medo do elo. é um medo do meu corpo não suportar. mas como não suportar algo que ja me constitui? isso de voltar atrás, me fez lembrar de quando desejava isso que tenho hoje. hoje, desejo o que tinha antes. tenho antes o que já tinha hoje: coragem. essa coragem. eu quero construir uma casa e viver nós três. parei. tentei esquecer. mas não consigo e nem quero o esquecimento. eu queria que fosse mais leve o desejo. eu quero construir algo entre nós dois. o que? talvez uma vida. um modo de viver. é que estamos no outono, e é o momento de folhas caírem. o que fica são as raízes. o que fica da gente? o que vai despencar do pé? eu quero que despenque algumas coisas, ma não consigo lembrar na linguagem da palavra. lembro no gesto que quero gritar junto com você. e subi a Fonte Grande. o que tem na Fonte Grande minha história. que tem você. morariamos la enquanto entivessemos viajando para lugares diferentes? a proposito, quando irei me permitir a viajar conosco? então o que me acontece é um desejo de viajar a sós para bahia ou algum lugar que você escolha. mas no fim eu que escolho ne. hahahaha. engraçado. nos escolhemos, essa é a verdade. é verdade que lembrei. a verdade é que lembrei do que esquecer: o medo.
quinta-feira, 25 de abril de 2019
Se tudo está em tudo, então eu estou em meu avô e ele está em mim. A relação de reciprocidade e interpenetração entre nós dois não acaba com a morte de um de nós. A morte não é o fim desse contágio mútuo, pois a morte é um anúncio da vida, já que essas duas dimensões da existência são complementares. Com a morte do meu avô continuarei o tendo em mim em interferindo nele através da minha relação que estabelecerei com o mundo e com as vidas que partilhamos juntos. A absorção e incorporação da substância de vida Benedito Brasileiro, continuara se presentificando em minha memória gestual, em qualidades sensoriais, em minha pele negra, em minha bioquímica, em minha vontade de cozinhar, em meu amor, em meu nome de batismo e nome de guerra ,em meu sobrenome. Em meu sopro de vida. Em meu piscar de olhos. Em minha garganta. Em minha gargalhada. Em minha respiração.
terça-feira, 16 de abril de 2019
segunda-feira, 15 de abril de 2019
eu queria ser um território onde só ouvisse o barulho do mar. ondas indo e vindo. um mar com chuva. sabe, meu avô disse me disse que quando choveu no alto mar ele ficou desesperado. lembro de minha avó contado sobre isso também. meu avô era marinheiro né, e eu também sou marinheira. nossos amores duram meia hora. meia hora de um tempo atlântico.
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