segunda-feira, 29 de abril de 2019

É coisa de familia. é de familia. sou dessa familia. minha avó julite enche o banheiro de plantas artificais. Antes eu não gostava e hoje eu amo. Ou antes eu não gostava quanto gosto hoje. E ontem eu fui na casa de Delma e vi que ela faz a mesma coisa. Gostei . É de família ne. Tia Maria, mão de Delma foi irmã do meu avô Binhinho que é marido do minha avó Julite, o tio da minha avó era marido de Tia Maria. Chega uma hora que sei la. Minha Tia Maria morreu 3 meses depois do meu avô. Ontem visitei o banheiro de sua casa. É coisa de família. Olhei essas fotos, pensei apenas isso: é coisa de família. Família Brasileiro. 





VIII Samba Para São Jorge. 
Festa organizada pelos devotos de São Jorge e Ogum, Coletivo Afoxé, moradores das comunidades: Fonte Grande, Piedade e Centro.

ontem eu não havia mais Fonte Grande e Piedade. Na festa de Ogum, entendi que os dois bairros são duas faces da mesma espada. O como uso dessa espada para cortar? Assim é para agradecer. A espada precisa. Eu preciso produzir algo na espada que deixa minha mão firme. A espada de São Jorge é de crueldade e Cura. Foi Sandra que me disse isso. Me disse e fiquei.... perdida. Perdida. Aglutinei a informação, não consegui dizer nada. Eu sorrir e arregalei os olhos. Ela me disse aquilo que venho repetindo todos os dias pra mim mesma. A espada de Ogum é de crueldade e Cura. Ouvi isso de outra pessoa me deixou... Não sei como. É um desejo de se arrepiar. Ou, direcionar meu arrepio. Não é controlar, e sim direcionar. 
ontem fiquei na Escadaria da Piedade. é uma escadaria verde, onde foi colocado um tapete vermelho para Ogum. São Jorge mora onde, Fonte Grande ou Piedade?

domingo, 28 de abril de 2019


Casa de minha prima-tia Marcela. Durante o VIII Samba Para São Jorge. 
Festa organizada pelos devotos de São Jorge e Ogum, Coletivo Afoxé, moradores das comunidades: Fonte Grande, Piedade e Centro.

"aglutinar e redistribuir"






VIII Samba Para São Jorge. 
Festa organizada pelos devotos de São Jorge e Ogum, Coletivo Afoxé, moradores das comunidades: Fonte Grande, Piedade e Centro.
"assim é para agradecer"



















VIII Samba Para São Jorge. 
Festa organizada pelos devotos de São Jorge e Ogum, Coletivo Afoxé, moradores das comunidades: Fonte Grande, Piedade e Centro.



Aglutinar e redestribuir: num domingo de festa, perambulo pela celebração de Ogum São Jorge, com uma espada que aglutina e redestribu vitalidade

sábado, 27 de abril de 2019

meu coração é seu como sua arma é minha como meu sangue jorra quando descubro a guerra que ja venci por estar viva

sexta-feira, 26 de abril de 2019

quando eu esqueci o caminho ou fiquei perdida nas direções possíveis, rodrigo me lembrou que eu deveria fazer o caminho de volta. voltar para. então voltei e lembrei o que queria não ter esquecido. ai quando lembrei, tentei esquecer. quando lembrei esqueci de que? eu mais lembrei do que esqueci, e quando lembrei desejei esquecer. escrevendo agora, lembrei do meu desejo de esquecer. esquecer tudo. esquecer como é fazer amigos e esquecer como é sentir que meu corpo esta fraco. eu me desacostumei. e tenho me acostumado a alimentar meu desejo. eu desejo criar uma aliança que não seja não fique no dedo, mas tenho medo de assumir esse elo corporal que já existe. não é um medo do elo. é um medo do meu corpo não suportar. mas como não suportar algo que ja me constitui? isso de voltar atrás, me fez lembrar de quando desejava isso que tenho hoje. hoje, desejo o que tinha antes. tenho antes o que já tinha hoje: coragem. essa coragem. eu quero construir uma casa e viver nós três. parei. tentei esquecer. mas não consigo e nem quero o esquecimento. eu queria que fosse mais leve o desejo. eu quero construir algo entre nós dois. o que? talvez uma vida. um modo de viver. é que estamos no outono, e é o momento de folhas caírem. o que fica são as raízes. o que fica da gente? o que vai despencar do pé? eu quero que despenque algumas coisas, ma não consigo lembrar na linguagem da palavra. lembro no gesto que quero gritar junto com você.  e subi a Fonte Grande. o que tem na Fonte Grande minha história. que tem você. morariamos la enquanto entivessemos viajando para lugares diferentes? a proposito, quando irei me permitir a viajar conosco? então o que me acontece é um desejo de viajar a sós para bahia ou algum lugar que você escolha. mas no fim eu que escolho ne. hahahaha. engraçado. nos escolhemos, essa é a verdade. é verdade que lembrei. a verdade é que lembrei do que esquecer: o medo. 
o negro é a absorção total de energias. é uma compressão e compreensão de pigmentos.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Se tudo está em tudo, então eu estou em meu avô e ele está em mim. A relação de reciprocidade e interpenetração entre nós dois não acaba com a morte de um de nós. A morte não é o fim desse contágio mútuo, pois a morte é um anúncio da vida, já que essas duas dimensões da existência são complementares. Com a morte do meu avô continuarei o tendo em mim em interferindo nele através da minha relação que estabelecerei com o mundo e com as vidas que partilhamos juntos. A absorção e incorporação da substância de vida Benedito Brasileiro, continuara se presentificando em minha memória gestual, em qualidades sensoriais,  em minha pele negra,  em minha bioquímica, em minha vontade de cozinhar,  em meu amor, em meu nome de batismo e nome de guerra ,em meu sobrenome. Em meu sopro de vida. Em meu piscar de olhos. Em minha garganta. Em minha gargalhada. Em minha respiração.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

eu queria ser um território onde só ouvisse o barulho do mar. ondas indo e vindo. um mar com chuva. sabe, meu avô disse me disse que quando choveu no alto mar ele ficou desesperado. lembro de minha avó contado sobre isso também. meu avô era marinheiro né, e eu também sou marinheira. nossos amores duram meia hora. meia hora de um tempo atlântico.
Diário de despachos. 

caderno artesanal que fiz com papel roubado. 



sexta-feira, 29 de março de 2019

terça-feira, 26 de março de 2019



Experiência instalativa "Quarto de Cura" no Morro da Fonte Grande, Vitória/Espirito Santo - Brasil. 2018. 6 m2
Técnica: fotografias digitais, desenho feito com tinta de tecido, tecido, costura, silicone, impressão 8,5x16cm, tambores, casacapotes de vidro e plástico, água, pedras, conchas, incensos, velas, defumador, esteira de palha, mesa e prateleira de madeira, xarope, garrafadas, pomadas, chá, sabonetes, venenos, sisal, plantas: alecrim, malva, hibisco, canela-de-velho, camomila, calêndula, espada-de-Ogum, espada-de-Iansã, aroeira, alfazema, boldo.
Instalação realizada dentro da casa de Renato Santos, no Morro da Fonte grande. Experiência realizada 15/12/2018 à 11/01/2019

Visitantes

Felipe Lacerda. Kika Carvalho. Brunna Tera. Paulo Gois Bastos. Rafael Segatto.
Felipe Gomes. Haroldo Lima. Luiz Henrrique Brasileiro Vasconcelos Priscila de Oliveira Pereira.
Jessika dos Santos Ferreira. Larissa Brasileiro Silva. Maksuel Brasileiro dos Santos.
Narelly Luis. Quenia Nascimento Lyrio. Gelso de Souza Vieira. Luiza Vitorio. Matheus Magno.
Rafael da Silva Machado. Karen Valentim. Gleice Neves. Michelle Lopes.
Hanne Machado Grillo Martins. Natan Dias dos Santos. Giulia Bravo. Guilherme Duarte.
Camila. Maria Amelha. Maria Anitta Brasileiro Falcão.  Marcela Brasileiro Falcão.
Lucia dos Santos. Penha (Dona Penha). Maria da Glória (Doquinha). Roger Gomes Ghil.
Elida Teixeira Vitorino. Eduardo Rangel. Marciel. Rodrigo S. de Jesus. Catarina Silva. Antenor.
Zeni. Ramon Matheus. Kenedy A Gualande. Kauan Viana Gualande. Heloyane Ferreira Viana.
Napê Rocha. Maria Tereza ( Tia Tetê). Larissa Brasileiro Silva. Sâmila Candeia. Andressa Riguête.
Tatiane Loureiro Brasileiro. Maksuel Brasileiro Silva. Luís Felipe dos Santos Nascimento.
Daniele Souza Viana. Paulo Viana. Maria Luiza de Barros Rodrigues. Gabriela L. Pereira.
Rafael Segatto Barbosa da Silva. Arielly da Fonseca Campos. Bárbara Galvão Silva.
Thaís Almeida Rodrigues. Danilo dos Anjos. Michele Sá. Bernaro. Joyce Castelo.Davi Alves Rocha.
Juan Victor Gonsalves. Thaísa Formentini. Eduardo Schettini Corrêa. Nayara Oliveira. David Rocha.
Ana Carolina Lyriu Carvalho. Matheus A. Sampaio. Rebeca dos Santos Ribeiro. Luisa Aguiar.
Ana Hercket. Kemila. Thiara Pagani. Patricia Bregatto.  

quinta-feira, 21 de março de 2019


Somagrama  dessa última semana. Fim do verão e inicio do outono. Eu vivi um esgotamento, e consegui compreender o tempo do descarrego. Minha tia Maria de 88 anos faleceu, numa data próxima daquela que se completam 3 meses do falecimento daquele preto velho que criou. Meu avô Bininho. Seu irmão mais novo. E eu tenho 22 anos. E eu estava assim esses dias, como esses desenhos! 

quinta-feira, 7 de março de 2019

Sagrado feminino de merda. Meu sagrado é de merda porque meus testículos são femininos? Meu feminino é de merda porque meu sagrado é retinto avermelhado? Ser feminina é uma merda, mas se dizem que não sou feminina porque continuo uma merda? Sou negra e me chamam de negro. Pela la, não existe ingenuidade entre nós. No momento da violência, todos sabem que sou bixa ou travesti. Então porque me chamam de negro? É uma hipocrisia que não me pertence. Porque há uma projeção. Me reconhecem como merda e me classificam numa cisgeneridade que vocês reconhecem não existir em mim no momento que me chamam de merda. Se sou uma merda então sou feminina e sagrada.

sábado, 2 de março de 2019

o trauma é brasileiro e a cura é Banto. e é pacífico la em baixo. não preciso falar ou rezar. foi porque eu mergulhei, e vi que é bem escura minha existência. é densa. sou negra, tenho varias cores, todas elas escuras. densas. meu trauma é brasileiro, pois foi brasileiro o nome escolhido por um alemão que batizou meu bisavô assim. brasileiro. inaugurou um novo trauma colonial na historia da minha família. e meu corpo, o que inaugura? e meu corpo negro, testiculado e feminino, o que inaugura nesta família brasileiro que é vitorino, loureiro e teixeira? 
não inaugurou a cura. atualizo um modo de cura que possibilitou minha existência. 
hoje o nomeio de clinica da efemeridade. e continuo sendo chamada de macumbeira, como minha tia nega foi, e era. somo duas macumbeiras. ou seja, despachamos a colonialidade que existe em nós sempre que incorporamos aquelas vidas que nos ensinam que a vida é água.  a vida é mutável, é diferença, é perecível. e a morta é inauguração de um outro modo de viver. quero viver continuando manipular a vitalidade que nos conecta. artista é medica. mediu é artista. psicóloga o que deve ser?sensível, corajosa e não preguiçoso. comprometida com o descarrego dos gestos ensinados pelas ficções racistas.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Sagrado feminino de merda. 

Feito la em cima no Campo, subindo a estrada de terra que passa pra chegar nas torres.


Gastrite. 


Feito la em cima no Campo, subindo a estrada de terra que passa pra chegar nas torres.








quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

-espiritualidade é pouco para dizer sobre essa complexidade

-o medo tem sido uma experiência recorrente no inicio dos meus processos de promoção de saúde. Tenho medo de expandi. Medo de não consegui expandi. Medo de explodir com toda a potência. Ao mesmo tempo desejo entrar. E tenho coragem.

-A ansiedade surge quando estramos no tempo da ocidentalidade. Quando nos permitimos sermos reféns da colonialidade.

-A  responsabilidade de meu desconforto é do outro que me violenta.